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Palavras da Comissão do JoTA: Poxa obrigado André pelo apoio...no meio de tantas criticas um palavra carinhosa ainda mais de um profundo conhecdor do mercado e do meio
Hoje, o mercado de jogos no Brasil está a anos-luz do mercado alemão. O consumidor na loja de brinquedos não tem como distinguir o que é bom do que é ruim. Ele não lê críticas sobre jogos nos jornais, porque os jornais não fazem críticas sobre jogos. Ele não lê resenhas dos jogos na internet, porque ainda são muito raras e ele nem sabe onde ler. Talvez nem saiba que um jogo poderia ser resenhado, assim como um filme ou livro. Quando vai ao cinema, muitas vezes já tem uma idéia do que vai assistir e isso aumenta a chance de ver algo que o faça querer voltar outra vez. Imagine que você tivesse que escolher o filme só pelo título, pela sinopse e pela idade mínima recomendada, sem saber mais nada sobre ele, nem quem são os atores, nem quem é o diretor, nem que prêmios ele ganhou. Pois é o que acontece com os jogos. A conseqüência é a compra de muitos jogos que decepcionam e o medo de experimentar algo novo, o que só serve para aumentar ainda mais a venda dos mesmos de sempre: Banco Imobiliário, Jogo da Vida, War...
Como a compra do consumidor é quase cega, a indústria foca numa combinação explosiva: preço baixo e embalagem bonita, negligenciando com freqüência a qualidade do produto. Alguns fabricantes até acreditam lançar jogos de qualidade. Mas seu conceito de qualidade é ainda muito limitado. Quando falamos na qualidade de um jogo, estamos falando em muitos aspectos diferentes. Entre eles temos a originalidade da idéia, a clareza das regras, a atratividade da ilustração e dos componentes, a qualidade do material utilizado e, sobretudo, a qualidade da mecânica que pode se traduzir em quanta vontade dá de jogar de novo e de novo.
A maioria dos fabricantes nacionais é negligente com relação à maior parte desses aspectos. É por isso que os novos lançamentos, quando não são trazidos de fora como cópias dos originais, às vezes com direitos pagos e às vezes não, no mais das vezes desapontam o consumidor. Ou melhor, nem o desapontam, pois o consumidor já não espera muito deles. Na cabeça do consumidor médio, só existe um punhado de jogos bons, que são os já citados, acrescidos talvez de mais alguns como Cara a Cara, Detetive, Imagem & Ação, Perfil e Super Trunfo. Fora isso, só alguns jogos baratos para dar para as crianças, porque criança gosta de qualquer coisa. Pelo menos é o que muitos pensam. Mas não é bem assim.
Em nossa visão utópica, imaginamos fabricantes que lancem jogos com componentes de qualidade, ilustração de primeira, temas interessantes, mecânicas testadas à exaustão. Jogos divertidos e que proporcionam uma experiência gratificante. Isso não é impossível. Mas é uma realidade ainda distante.
A vitória das editoras independentes
O Prêmio JoTa referente aos jogos lançados em 2006-2007, considerou Arte Moderna como o melhor jogo lançado no Brasil. A editora Odysseia acertou em cheio já em seu primeiro lançamento. Arte Moderna é um jogo inteligente, com uma mecânica sólida, envolvente. Uma verdadeira aula sobre jogos de leilão. As regras não são complexas e, no entanto, o jogo oferece diversão para um adulto, no melhor estilo dos modernos jogos europeus. Seu autor, o astro alemão Reiner Knizia, talvez seja o autor de jogos mais conhecido no mundo. O homem é uma lenda. Talvez não seja pura coincidência que o jogo considerado como o segundo melhor pelos votantes também seja dele: Samurai, lançado por outra nova pequena editora, a Ceilikan.

O que essas duas editoras fizeram é algo de grande valor para o mercado. O Arte Moderna, por exemplo, não tem apenas uma belíssima mecânica; ele tem componentes de qualidade e ilustração excepcional, até mais bonita que a da versão alemã, se posso dizer. É um jogaço.
Infelizmente, pela dura lógica do nosso mercado, até onde eu sei a distribuição do jogo não ultrapassou a pequena escala. Quem sabe se o JoTa já existisse na época do lançamento tudo teria sido diferente? O jogo ainda é vendido? Ainda é produzido? Não sei dizer, mas gostaria muito que fosse, pois talvez, considerando todos os aspectos envolvidos, seja possivelmente o melhor jogo já lançado em nosso país. Talvez agora, com o JoTa, ele receba um novo impulso para ultrapassar a barreira da distribuição e chegar ao grande varejo.




